terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O YAHOO E O MEMO ESCORREGADIO


"Brad Garlinghouse provavelmente salvou o Yahoo (pelo menos, por ora). De qualquer das formas, ele econtrou a sua tribo.

Em 2006, Brad Garlinghouse agiu como um herege. Escreveu um memorandum sem rodeios aos seus patrões do Yahoo assinalando as falhas que ele achava existirem na estratégia da empresa, abalando a doutrina da companhia e descrevendo uma visão para o futuro. O objectivo do mesmo era incitar uma pequena tribo, o grupo que juntamente com ele geria a empresa.

Mas o memo foi alvo de uma fuga de informação. Saiu no Wall street journal e em tudo o que era site Web. De repente, Brad deixava de ser um desconhecido para passara a ser um gestor sénior importante dentro do Yahoo.

Ele representava o pesadelo de qualquer candidato a herege. O homem estava com problema.

Os tipos da fábrica de balões vêem momentos como este como exemplos de avisos ao unicórnio: «cuidado» dizem, «ou ainda arranjas problemas».

O que aconteceu foi que o memo de Brad deu início a uma série de eventos que levou à saída do CEO Terry Semel e a grandes mudanças na empresa. E levou também a um trabalho de maior responsabilidade para Brad".

"O que temos a perder?

Brad não divulgou o memo, mas realmente teve muita lata ao partilhar uma análise tão honesta com os seus patrões. Se Brad tivesse sido despedido, teria havido dezenas de empresas (sim, estou tentado a dizer «de melhores empresas») que lhe teriam dado a oportunidade de trabalhar para elas.

O pior que lhe podia ter acontecido era ele ter conseguido um emprego melhor. Se o memo produzisse resultados (e assim aconteceu), ele ficava com um sítio melhor para trabalhar e teria feito a coisa acertada, não apenas para os accionistas mas também para a sua carreira.

Depois de ganhar credibilidade, de lutar pelo lugar que tinha, de fazer o seu trabalho e de conquistar a confiança, Brad não tinha nada a perder ao escrever aquele memo. Foi difícil, sem dúvida, mas valeu a pena.
De que é que estão à espera?"

SETH GODIN, in: Tribos - Precisamos de um líder.

Comentário do Blasé


Este exemplo, aqui publicado, demonstra bem a diferença de mentalidade entre o que se passa, lá fora, e o que se passa, cá,no burgo.

Que teria acontecido ao Brad se tal situação tivesse ocorrido cá, e em certas instituições!!! Certamente teria sido suspenso, alvo de um processo disciplinar, alvo de um julgamento sumário, despedido sem direito a defender-se, e outras coisas mais.

Era só o que faltava agora, o miúdo a ter ideias e a criticar-nos, a nós, os supra sumos da inteligência, os donos supremos da verdade.

Lá fora não acontece nada disso. Aproveitaram as ideias dele, que pelos vistos salvaram o Yahoo. São estes actos de humildade que nos deveriam fazer pensar a todos. Todos nós temos coisas a aprender uns com os outros.

A inteligência, ao contraio do que se passa cá no burgo, não vem com o cargo que ocupamos. Todos nós começamos a aprender no dia em que nascemos e deixamos de aprender no dia em que morremos.

Era bom que alguns iluminados que conheço e, que infelizmente, ocupam cargos de relevo em algumas instituições deste país, lessem estas coisas para aprenderem, e assim deixarem de cometer os erros e injustiças que cometem.

Como, escreveu José Martí "A liberdade custa muito caro e temos ou de nos resignarmos a viver sem ela ou de nos decidirmos a pagar o seu preço".

Eu já sei o preço que vou pagar pela minha!!!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

PASTAR


"Defino pastar como o resultado de se contratarem pessoas que foram educadas para ser obedientes e para se lhes darem trabalhos idiotas e incutir a dose de medo necessária para as manter na linha.
(...)
Não deixa de ser irónico, ainda que não seja de estranhar, nesta época de maior confiança nas ideias novas, rápida mudança e inovação, que o acto de pastar esteja na realidade em crescimento. Tudo porque já não podemos confiar nas máquinas para fazer o trabalho idiota.
(...)
E não é de estranhar que quando contratamos essa mão-de-obra, procuremos pessoas que foram treinadas para não sair do rebanho.
(...)
E muitas empresas dão-se ao trabalho de contratar pessoas que não saem da linha, que demonstram consistência e acato. E depois essas empresas dão a essas pessoas empregos que são geridos pela via do medo. E lá voltamos nós às ovelhas do rebanho (posso ser despedido)!
(...)
Quando contratamos pessoas extraordinárias e lhes damos liberdade, elas fazem coisas extraordinárias. As ovelhas do rebanho e os respectivos patrões olham e abanam a cabeça, com a certeza de que se trata de uma excepção e que é demasiado arriscado para a industria deles ou para a base de clientes deles.
(...)
O primeiro passo é dar um nome ao problema. Pastar; ovelhas no rebanho. Pronto.

O segundo passo é para aqueles de entre vocês que se revêem neste espelho, para perceberem que podem parar a qualquer momento. Podem sempre reclamar a carreira que merecem simplesmente recusando-se a percorrer o mesmo caminho que toda a gente faz, só porque toda a gente faz.

O grande passo, contudo, é dado pelos que ensinam ou contratam. E esse é o de estimular o comportamento fora do rebanho, compensá-lo e acarinhá-lo.
(...)
Temos de nos despachar. Temos de acordar".

SETH GODIN, in: Tribos - precisamos de um líder.


Comentário do Blasé


Belo retrato do que, hoje em dia, se passa em algumas instituições deste país. O culto que existe pelo PASTAR e pelas ovelhas do rebanho.
PENSAR, E DIZER O QUE SE PENSA é que não se pode, pois tal desidrato incomoda os patrões e perturba o rebanho.

Talvez esteja aqui uma, pequena, explicação para algum atraso deste país.

  • Enquanto não percebermos que o melhor que as organizações têm são, precisamente, as pessoas;

  • Enquanto não tratarmos essas pessoas como devem e merecem ser tratadas;

  • Enquanto continuarmos a cultivar a cultura do PASTAR ;

  • Enquanto continuarmos a cultivar esta cultura do medo;

  • Enquanto continuarmos a impedir, as pessoas, de dizerem o que pensam sobre a organizações;

  • Enquanto todos estes "enquantos" e outros continuarem, dificilmente sairemos desta cepa torta.

  • Enquanto isso, vemos todos os outros passarem à nossa frente e viverem melhor que nós!!!

Triste sina a nossa!!!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

ENCORAJAR COM UMA DISCORDÂNCIA CONSTRUTIVA


" Se quiserem acolher a inovação e o compromisso, as organizações sem fins lucrativos precisam de uma atmosfera saudável que proporcione a discordância. Estas organizações devem encorajar um desacordo honesto e construtivo, precisamente porque todos devem estar dedicados a uma boa causa: a sua opinião contra a minha pode facilmente ser confundida como a sua boa fé contra a minha. Sem o encorajamento adequado, as pessoas têm a tendência a evitar estas discussões difíceis, mas vitais, ou tendem a levar estas discussões para territórios escondidos.

Uma outra razão para encorajar a discordância é a de que todas as organizações precisam de não conformistas. Este não é o tipo de pessoa que diz: «Há uma maneira certa e uma maneira errada de fazer as coisas e há a nossa maneira», Em vez disso diz:« Qual a maneira correcta de fazer isto de futuro?» e está sempre pronta para a mudança. Finalmente, uma discussão aberta revela mais facilmente os objectivos em causa e com uma participação genuína a decisão não precisa de ser vendida, as sugestões podem ser incorporadas, as objecções resolvidas e a decisão em si, torna-se um compromisso à acção."
Peter F. Drucker, in: As Cinco Questões Mais Importantes que Deve Sempre Colocar à Sua Organização.


Cometário do Blasé:

Vem esta citação a propósito de algumas coisas estranhas que se têem passado ultimamente em algumas organizações.

Seria bom que as pessoas que estão à frente de algumas dessas organizações lessem os mestres e aprendessem com eles a gerir organizações e pessoas.

O país não pode continuar a amordaçar aqueles que querem exprimir, livremente, as suas opiniões.

Como alguém disse um dia " deixar de criticar é deixar de pensar".

Eu, vou já avisando que, não vou deixar de pensar.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

VERDADE, HUMILDADE & SOLIDARIEDADE




Estou a terminar a leitura deste brilhante livro que recomendo a todos. Talvez nele encontrem a resposta para muitas interrogações, incluindo respostas para a crise actual, crise que infelizmente quem manda, insiste em não explicar, ou melhor, explica em "economês" que ninguém percebe, acho que nem eles próprios.

Realmente esta sociedade prima pela falta de valores, e sem dúvida, como escreve João Ermida, "se quiser seguir a filosofia reinante, estes são os principais princípios que deve guardar":
  1. Se na sua vida quiser ter êxito durante um longo período de tempo, não pode então ser amigo de ninguém.
  2. A amizade desvirtua os pensamentos do êxito pessoal. Somente o egoísmo pode facilitar o acesso aos altos voos do poder.
  3. Nunca olhe pelos outros, se quer obter poder.

Só assim se poderá tornar no «grande homem» que irá sucumbir na terra ao lado de todos os outros que eliminou na sua ascensão ao poder"

Infelizmente, a nossa sociedade está alavancada nestes princípios. Compete-nos a todos nós, levarmos estes princípios à falência e alavancarmos a sociedade na "VERDADE, HUMILDADE &SOLIDARIEDADE".

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Cavaco critica leis irreais e utópicas




"É importante, quando se legisla, que se oiça aqueles que conhecem a realidade. A legislação deve ser feita para o País em concreto, que é o nosso, e não para utopias"

Cavaco Silva

Comentário do Blasé

Finalmente alguém, neste país, começa a dizer o que tem de ser dito com todas as palavras. Infelizmente, grande parte, se não, a maioria das leis feitas são utópicas e bem "copiadas" de outras realidades que nada têm a ver com a nossa.

Aliás o que mais se costuma ouvir nessas alturas é: "Porque nos países, A, B, C existe"; "Porque os países, D e F já aprovaram", etc etc.

Muitos abrem a boca com estas palavras, mas poucos desses leram o que realmente se passa nos países que gostam de citar, numa de uma intelectualidade balofa.

Dois exemplos para ilustrar a realidade:

1) A famosa lei que ficou conhecida como " a lei da pílula do dia seguinte".

Decorria o ano de 1999, 2000 quando se inicia a discussão sobre essa problemática. E um dos grandes argumentos era o seguinte: " Portugal é o segundo país da UE com maior taxa de gravidez na adolescência"

E lá estava no discurso da intelectualidade balofa, os tais argumentos, de que o país A, B, C já tinham aprovado a pílula do dia seguinte; Que a mesma já estava à venda nos países D, E, F etc.

Aprovou-se a lei, passados 9 anos qual é o resultado: Portugal continua a ser o segundo país da UE com a maior taxa de gravidez na adolescência.

2) Lei da troca de seringas em meio prisional.

Esta aprovada mais recentemente. Estava aqui a solução para todos os males da toxicodependência nas prisões, era a caixa de pandora.

E uma vez mais, a intelectualidade balofa vinha com os argumentos, "nos países A, B, C existe"; Os países D, E e F já aprovaram". Pena é que depois poucos, tenham lido alguma coisa sobre as realidades desses países.

Mas, uma vez mais, essa intelectualidade aprovou a lei, resultado: Nenhum preso aderiu ao programa de troca de seringas em meio prisional. La estão as seringas, pagas com o dinheiro dos nossos impostos, encaixotadas.

Apenas deixamos aqui estes dois exemplos, mas muitos mais poderíamos aqui colocar, para se provar a veracidade das palavras do Presidente da República.

domingo, 18 de janeiro de 2009

“O sistema odeia as pessoas íntegras”



O professor Campos e Cunha (ex Ministro das Finanças do Governo Sócrates) deu, este fim de semana, esta brilhante entrevista ao Correio da Manha e Rádio Clube. Fica aqui o resumo Publicado pelo Correio da Manhã, e o link para quem quiser ler a entrevista na íntegra, que confesso, vale a pena. No fundo vem dizer aquilo que todos pensamos mas não dizemos.



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“O sistema odeia as pessoas íntegras"


Campos e Cunha não tem dúvidas. O sistema odeia pessoas sérias e íntegras. Na entrevista ao Correio da Manhã e Rádio Clube, o ex-ministro das Finanças de José Sócrates mostra-se indignado com as campanhas feitas contra pessoas de valor e afirma que há uma degradação evidente na qualidade dos gestores da causa pública.


Sobre a crise económica e financeira, Campos e Cunha diz que o Governo montou uma gigantesca operação de ocultação da situação e que por isso mesmo perdeu crédito não só junto dos portugueses como das instâncias internacionais. É por isso, diz, que recentemente a Standard & Poor’s fez um aviso de que o risco de crédito de Portugal pode piorar.


Em relação à estratégia do Executivo de José Sócrates para combater a crise, Campos e Cunha afirma que ainda não percebeu o alcance das medidas e recusa a ideia de que um qualquer burocrata do Terreiro do Paço possa escolher os sectores de actividade que devem ser ou não apoiados.


Para este economista, tudo o que tem sido feito não passa de coelhos que o Governo vai tirando da cartola. Sobre a matéria fiscal, Campos e Cunha defende a redução imediata das taxas de retenção do IRS e da taxa social única, tudo de forma temporária. E sobre as polémicas obras públicas, o ex-ministro das Finanças recusa terminantemente o projecto de construção do TGV.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

PORTUGAL NO SEU MELHOR




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