sábado, 10 de maio de 2008

O caso mental português

Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria «provincianismo»
(...)
Para o provincianismo há só uma terapeutica: é saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos.
Fernando Pessoa, O caso mental Português

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Os Romanticos do Alcoolismo!!!!

www.cinematografo.com.br/page/2/
Não pretendemos, neste texto, tratar aprofundadamente as questões do alcoolismo, (essas ficam para mais tarde) apenas dizer que os Açores, perderam uma excelente oportunidade de tomarem a dianteira no combate ao flagelo do alcoolismo, meramente por questões politico partidárias, como sempre acontece neste país, e não por questões científicas.


Dizer ao Senhor Deputado do Partido Socialista, José Rego, algumas coisas simples que deveria saber:


a) o insucesso escolar é duplo nas crianças e jovens que consomem álcool, versus os que não consomem bebidas alcoólicas;


b) Morrem por ano em Portugal 8000 pessoas devido ao álcool;


c) Economicamente os problemas relacionados com o álcool custam 5% do PNB. Os custos sociais e humanos ultrapassam todas as percentagens;


d) São os adolescentes e as mulheres quem mais contribui para o aumento dos consumos de álcool.

O Alcoolismo é o maior problema de Saúde pública no nosso país.



O consumo excessivo de álcool manifesta-se, não apenas, em problemas de saúde, mas também em situações de infelicidade, perda, dor, privação, negação de si mesmo, ruptura familiar e marital, danos a terceiros, autodestruição.



O problema do álcool existe, tende a crescer e não afecta apenas o indivíduo. De uma forma ou de outra, as questões decorrentes do excesso de álcool acabam sempre por se reflectir na família, na sociedade, exigindo destas muita atenção e elevadas despesas.



Seria bom que quando falasse se informasse melhor acerca dos assuntos e nos dispensasse dos seus disparates.



Termino dizendo-lhe Senhor Deputado que, se a asneira /disparate em Portugal pagasse imposto, o país não teria deficit mas sim superávit, e o Senhor Deputado seria um dos grandes responsáveis por esse extraordinário facto.

Açores: Maioria Socialista impede aumento da idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas

A maioria PS na Assembleia Legislativa dos Açores impediu, terça-feira à noite, o aumento da idade mínima permitida para o consumo de bebidas alcoólicas, que o PSD pretendia passar de 16 para 18 anos.


A proposta dos sociais-democratas integrava um pacote legislativo de combate ao alcoolismo juvenil, que determinava a aplicação de sanções e restrições no acesso ao álcool por parte dos mais novos mas a decisão da bancada da maioria acabou por "desvirtuar" o diploma.


O pacote legislativo acabou por ser aprovado por unanimidade, embora com as alterações impostas pelos socialistas, que entendem não existirem estudos que "comprovem a necessidade de aumentar as restrições" ao consumo junto dos mais novos.


José Rego, de bancada socialista, explicou, na ocasião, que o diploma do PSD era "importante" mas que o seu partido não via necessidade de aumentar dos 16 para os 18 anos a idade limite para o consumo de álcool.


José Manuel Bolieiro, do PSD, lamentou que os socialistas tenham mudado de opinião desde a apresentação deste diploma no Parlamento, em Março, criticando o facto dos socialistas não apresentarem "argumentos válidos" para alterar a proposta inicial.


O PSD também pretendia fixar um limite mínimo de 200 metros, para a instalação de bares e cafés junto a estabelecimentos escolares mas o PS decidiu também reduzir essa proibição para apenas 100 metros, alegando a pequena dimensão de muitas localidades açorianas.


Recorde-se que o PSD já fez aprovar no Parlamento, em sessões legislativas anteriores, outros diplomas relacionados com o combate ao alcoolismo, um dos quais determina a redução da taxa de alcoolemia no sangue para determinadas categorias de condutores, de 0,5 gramas para 0,3 gramas por litro de sangue.
www.lusa.pt

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O homem Massa

"Por toda a parte surgiu o homem massa(...), um tipo de homem feito à pressa, montado apenas sobre umas quantas abstracções e que, por isso mesmo, é idêntico de uma ponta à outra da Europa. A ele se deve o triste aspecto de monotonia asfixiante que a vida vai tomando em todo o continente. Este homem massa é o homem previamente esvaziado da sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas internacionais."
Ortega Y Gasset , A rebelião das massas

Democracia portuguesa é das piores da Europa


A qualidade da democracia portuguesa está longe de ser comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.


As conclusões são da Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo "pôr a ideia democrática em prática" através, por exemplo, de estudos. A Demos divulgou no final de Janeiro um "top" de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado "Everyday democracy index" (EDI, cuja tradução possível será "index da democracia quotidiana").


Trata-se de uma avaliação sofisticada que envolve mais itens do que o normal em avaliações deste género. O escrutínio não se fica pelos aspectos formais da democracia (eleições regulares, por exemplo). Vai mais longe, avaliando o empenho popular na solução democrática dos seus problemas e, por exemplo, a qualidade da democracia dentro das relações familiares.


Os resultados quanto a Portugal contrastam, por exemplo, com o último Democracy Índex mundial divulgado pela revista britânica The Economist, e relativo a 2007. Nessa tabela (ver DN de 5 de Abril), Portugal aparece classificado em 19º lugar (no mundo), posição que sobe para 12º quando vista apenas entre os 27 países da UE.


No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top" (ver gráfico).O que se passa então com Portugal?


Olhando para o gráfico, percebe-se a resposta: de um ponto de um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itália. O que puxa a democracia portuguesa para baixo são os outros critérios.


Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem. Um aspecto inovador do estudo da Demos é o que avalia também a "democracia familiar". Tenta perceber-se em que países há mais direitos para cada um escolher a estrutura familiar.


Entre os 25 países analisados, Portugal ficou em 21º. No cômputo geral, a Demos concluiu o que já se intuía: há um claro padrão geográfico na qualidade das democracias. Os países nórdicos são os melhores. As democracias vão-se fragilizando à medida que se desce no mapa europeu.


Os países protestantes tendem a ser mais abertos que os católicos.Verificou-se, por outro lado, que não há uma relação directa entre a qualidade formal da democracia e a qualidade da democracia quotidiana, que é tanto aquela que se exerce numa assembleia de voto como aquela que se pratica na reunião familiar onde se decidem as férias do Verão.



PALAVRAS PARA QUÊ... ESTÁ TUDO DITO!!!

Com efeito, Portugal é já A PÁTRIA DOS ABUSOS, Eça de Queiroz 1867




Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e adoração pelo bem, que sofrem, e se levantam em vão.
Estes homens são o povo.
(…)
Estes são o povo, e são os que nos alimentam.
(…)
Estes homens são o povo, e são os que nos vestem
(…)
Estes homens são o povo, e são os que nos enriquecem
(…)
Estes homens são o povo, e são os que nos defendem
(…)
Estes homens são os que os defendem.

E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que os vestem, os alimentam, que os enriquecem, que os defendem, que os servem.

Primeiro, despreza-os; não pensa neles, não vela por eles, trata-os como se trata os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e dificuldades, forma-lhes em redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga, não lhe dá protecção; e terrível coisa, não os instrui; deixa-lhes morrer a alma.

É por isso que os que têm coração e alma, e amam a justiça, devem lutar e combater pelo povo.
E ainda que não sejam escutados, têm na amizade dele uma consolação suprema.

Eça de Queiroz 1876

domingo, 4 de maio de 2008

Cataratas Políticas


Nos últimos tempos temos sido confrontados com notícias relativas à problemática das operações às cataratas que alguns municípios portugueses contratualizaram com Cuba devido à falta de resposta do SNS português.

E, de repente, já toda a gente falou, gente que até aqui esteve em absoluto silêncio, gente que tinha conhecimento da situação, gente que e assistia ao sofrimento dessas Portuguesas e Portugueses, gente que nada fez para resolver a situação, a saber:

O Bastonário da Ordem dos Médicos diz “ que é propaganda[1] política” mandar doentes para Cuba., e até levantou dúvidas quanto à qualidade dos serviços médicos cubanos.

A Ministra da Saúde manifestou preocupação com a forma como estão a ser acompanhados os idosos que são operados aos olhos em cuba e desafiou as autarquias que os levam a propor semelhante intervenção no sector social português.

O sector Privado da Saúde, apesar da lista de espera já estar nos 29 mil, diz que “Portugal tem capacidade instalada para resolver o problema, pelo que é desnecessário e mais caro o envio de paciente para Cuba”.

O Grupo das Misericórdias Saúde, “também considera curiosa a espera quando as misericórdias têm capacidade para realizar três mil cirurgias ao mês, com preço especial para o Estado”.

O Primeiro-Ministro, vergonhosamente vem dizer que “o Governo vai ter programa para “reduzir rapidamente” listas de espera de cirurgia às cataratas.

Vir agora, o Primeiro Ministro, ao fim de três anos de Governação proferir esta declaração quando sempre teve conhecimento da situação, é no mínimo vergonhoso. Que andou a fazer até agora? Será que se as autarquias não tivessem celebrado os protocolos com Cuba, se a Comunicação Social não tivesse dado eco dessa situação, teria o Primeiro Ministro dito alguma coisa sobre o assunto, ou continuaria tudo escondido debaixo do tapete.

Confesso que, cada vez mais, me convenço que há pessoas que de quando em vez aparecem a falar sobre determinados assuntos, como se tivessem vindo teletransportadas de uma outra qualquer galáxia, sem qualquer responsabilidade na matéria.

É vergonhoso termos chegado a esta situação, pessoas trabalharem uma vida toda, contribuírem com o seu esforço e saber para o desenvolvimento do país e, depois, quando precisam de medicina vão para as famosas listas de espera.

Bem hajam as autarquias que contratilazaram com Cuba a resolução desses problemas, possibilitando assim aos seus munícipes melhor qualidade de vida, evitando que alguns fiquem definitivamente cegos que seria o fim que teriam nas famosas listas de espera. (pelos vistos isto não incomoda os que até agora estiveram calados e só agora falam)

A mim parece-me que este falatório todo tem a ver com o facto de andarem a mexer em ALGUNS QUINTAIS, esses quintais intocáveis dos intocáveis…

[1] “Propaganda no seu devido significado é uma palavra perfeitamente sã, de honesta ascendência, e com uma honoravel história.
O facto de carregar hoje um significado sinistro, mostra simplesmente o quanto de criança permanece na dimensão adulta”. Edward L. Bernays, Propaganda, mareantes editora.
Recomenda-se a leitura ao Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos