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quarta-feira, 14 de maio de 2008
EDUARDO PRADO COELHO
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Max Weber
terça-feira, 13 de maio de 2008
EÇA DE QUEIROZ
Nestes estados de civilização, ruidosos e ocos, tudo deriva da vaidade, tudo tende à vaidade. E a forma nova de vaidade para o civilizado consiste em ter o seu rico nome impresso no jornal, a sua rica pessoa comentada no jornal! «Vir no jornal» eis hoje a impaciente aspiração e a recompensa suprema.segunda-feira, 12 de maio de 2008
A Ramalho Ortigão

Meu caro Ramalho
(...)
E simplesmente o que eu quero fazer, é dar um grande choque eléctrico ao enorme porco adormecido(refiro-me à pátria). você dirá:
Qual choque! oh, ingénuo! o porco dorme: podes-lhe dar quantos choques quiseres, com livros, que o porco há-de dormir. O destino mantém-no na sonolência, e murmura-lhe: « Dorme, dorme, meu porco!»
Perfeitamente: mas eu estou-lhe a dizer o que pretendo fazer - e não o que o país fará: naturalmente continuará a dormir: veremos.
Eça de Queiroz, Newcastle, 10 Novembro de 1878
domingo, 11 de maio de 2008
Álcool: A distorção dos incentivos
Para terminar, as questões do álcool, gostaria de retomar uma vez mais a questão da distorção dos incentivos, e a hipocrisia que reina neste país à beira mar plantado.
Ora, sendo o álcool o maior problema de saúde publica em Portugal seria de esperar da parte de quem manda que se tomassem medidas para combater este flagelo, e que não houvesse distorção dos incentivos.
Ora o que, infelizmente, se constata é precisamente o inverso, se não vejamos:
1- A Sagres Patrocina a Selecção Nacional de Futebol;
2- A liga Portuguesa de Futebol Profissional criou a taça da liga que se chama: Taça Carlsberg
3- A Liga Portuguesa de Futebol Profissional assinou contrato com a sagres para no próximo ano a liga de futebol passar a ser liga Sagres;
4- As cervejeiras podem patrocinar tudo o que é festa, concerto, festival de Música, Queimas das fitas, etc etc.
Lembro-me de quando a BWIN assinou contrato com a liga de futebol para patrocínio da Liga Profissional de Futebol, a celeuma que levantou por causa dos jogos de apostas, os processos que entraram em tribunal, as declarações de membros do Governo e da classe política sobre a matéria, os pedidos de pareceres sobre o assunto.
E não estava em causa nenhum, nem o maior, problema de saúde pública do país. MAS ISSO, SIM, ERA IMPORTANTE.
Agora que a Cervejeiras Patrocinem o futebol, os festivais, etc etc, não há problema algum para quem manda neste país.
Mas há e grave, é que caso ainda não se tenham apercebido morrem por ano 8000 portugueses devido ao álcool, os custos económicos foram calculados em 5% PNB e os custos humanos e sociais transcendem todas a percentagens.
É assim a hipocrisia de quem nos governa!!!
[1] Sobre a questão da distorção dos incentivos ver: Pereira, Álvaro Santos “ Os Mitos da Economia Portuguesa”, Editora, Guerra &Paz. Sem dúvida um dos mais brilhantes livros de economia escrito em português.
RESPOSTA AO COMENTARIO DA NOCAS
Mas eu não poria a questão assim, pô-la-ia de outro maneira, e que é a distorção dos incentivos, ou seja, as pessoas, as empresas, os governos e até as economias respondem a incentivos. Se os incentivos estiverem distorcidos, as escolhas económicas que as pessoas tomam no dia a dia irão reflectir isso mesmo.
Incentivos errados levam a comportamentos igualmente errados.
As pessoas respondem aos incentivos que lhes fornecem. Se os nossos governantes e dirigentes quebram sistematicamente deliberadamente as leis, reduzem-se os incentivos para o cidadão comum as cumprir zelosamente.
Ou seja, se existe uma lei que proíbe o consumo de álcool a menores de 16 anos, se essa lei fosse cumprida, não veríamos os tristes espectáculos que vemos quando saímos à noite de miúdos de 13, 14, 15 anos completamente bêbados.
Assim se se quebram as regras uma vez porque não quebrá-las outra vez e outra e outra e outra?
Quando os governos têm um sistema de incentivos distorcidos, os seus desempenhos serão também afectados.
Exemplos de incentivos distorcidos é coisa que não falta neste país:
Rendimento Social de Inserção – incentivo ao não trabalho;
Toxicodependência: Descriminalização dos consumos de drogas, e da sua posse até à quantidade considerada necessária para 10 dias. Com o devido respeito quem anda com quantidade equivalente ao necessário para 10 dias só pode andar no tráfico.
Álcool – apesar de a lei proibir consumos a menores de 16 anos, consome-se a partir de qualquer idade que ninguém fiscaliza.
Contrariamente a alguns países onde o consumo é interdito a menores de 18, e quando há duvidas relativas à idade é solicitada a identificação à pessoa em causa sem qualquer problema;
Extinção dos Centros de alcoologia, e integração das atribuições no IDT.
O que se verifica é a redução da missão dos ex. Centros de Alcoologia, transformando-os em meros centros de recuperação de alcoólicos, o que significa um retrocesso aos anos de 1970.
Assim é difícil combater este flagelo.
SEM DÚVIDA ALGUMA O MAIOR PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA EM PORTUGAL.
Precisamos para além de incentivos não distorcidos, mais educação para a saúde, redução da oferta, prevenção, investigação, formação, na prática serviços especializados que possam dinamizar as intervenções quer o tratamento quer a prevenção.
A VERDADEIRA FACE DO ALCOOLISMO

1- O abuso e a negligência infantil;
2- A violência contra as mulheres e a violência doméstica;
3- O elevado número de mortes por cirrose alcoólica (4ª causa de morte) e por acidentes rodoviários conexos;
4- O desemprego e a exclusão social;
5- O insucesso escolar (que é duplo nas crianças e jovens que consomem álcool, versus os que não consomem bebidas alcoólicas);
6- Acidentes de trabalho (mais de ¼ estão relacionados com os consumos de álcool); suicídios;
7- Homicídios (mais de metade estão relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas);
8- Internamentos hospitalares (chega a atingir os 50%);
9- Taxa de mortalidade precoce e distorcida;
10- Síndrome fetal alcoólica, absentismo, etc.
As consequências decorrentes do consumo excessivo de álcool manifestam-se não apenas em problemas de saúde como, até, em situações de infelicidade, perda, dor, privação, negação de si mesmo, ruptura familiar e marital, danos a terceiros e autodestruição.
Os custos económicos dos problemas relacionados como álcool foram estimados em 5% do PNB. Os custos humanos e sociais, esses, transcendem todas as percentagens.
O problema do álcool existe e não afecta apenas o indivíduo. As questões decorrentes da ingestão excessiva de bebidas alcoólicas acabam sempre por se reflectir nas famílias e na sociedade, exigindo destas muita atenção e elevadas despesas.
Em 1988 foram criados em Portugal os Centros Regionais de Alcoologia, ( Decreto Regulamentar n.º 41/88 de 21 de Novembro) seguindo as resoluções emanadas da OMS e as recomendações do perito consultor para Portugal daquela organização.
Em 2006 os centros regionais de Alcoologia foram extintos ( Decreto-Lei nº 212/2006 de 27 de Outubro) sendo as suas atribuições integradas no Instituto da Droga e da Toxicodependência, I.P.
Estima-se que existam no nosso país mais de 1 milhão pessoas com problemas de álcool (dependentes +síndrome de abuso) e cerca de 500 mil alcoólicos dependentes.
Este magno problema de saúde pública ceifa a vida a mais de 8000 portugueses por ano.
